Diante da disseminação de informações falsas e dos reflexos negativos para a credibilidade dos veículos de comunicação, organizações empresariais brasileiras lançaram, na segunda-feira (13), em São Paulo (SP), a Coalizão Empresarial Contra a Desinformação, iniciativa inédita que posiciona o setor privado como agente estratégico na promoção de um ambiente informacional mais íntegro, seguro e responsável.
A iniciativa é liderada pelo Instituto Ethos, em parceria com a ABERT, Aberje (Associação Brasileira de Comunicação), Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica) e apoio técnico do NetLab (UFRJ).
O presidente-executivo da ABERT, Cristiano Lobato Flôres, participou do painel “Por que agir juntos: o papel das organizações na resposta à desinformação”, ao lado de Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje. O debate foi mediado por Andréa Álvares, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos. Durante o painel, Lobato Flôres destacou os impactos da desinformação no ambiente empresarial, especialmente na geração de incertezas nos processos de tomada de decisão.
“Temos vivenciado uma crise de confiança nas relações sociais, assim como também nas empresariais. Quando a informação perde credibilidade, o que se compromete não é só a percepção da sociedade, mas a base sobre a qual decisões econômicas são tomadas. Empresas passam a operar em um cenário de incerteza maior, marcas ficam mais vulneráveis a ataques reputacionais e o próprio fluxo de investimentos pode ser afetado. E confiança, como sabemos, é um ativo central para qualquer economia. Quando ela se fragiliza, todo o sistema perde eficiência”, afirmou.

De acordo com a mais recente edição do Global Risks Report (Relatório de Riscos Globais), a desinformação é o segundo maior risco econômico no curto prazo, atrás apenas da confrontação geoeconômica. Esse cenário contribui não apenas para a disseminação de informações falsas, mas também para a exploração da dúvida e o enfraquecimento da credibilidade dos veículos de comunicação.
Para o diretor-presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, a desinformação é um problema sistêmico, que demanda ação multissetorial.
“Não haverá resposta consistente para esse desafio sem cooperação entre sociedade civil, setor privado, poder público, academia e meios de comunicação. Por isso, a resposta a esse problema precisa ser coletiva. Ela passa por mais transparência das plataformas, por mais responsabilidade no desenvolvimento e na circulação de sistemas de IA, por políticas públicas de formação crítica e por um compromisso institucional com a integridade da informação. O desafio não é apenas tecnológico. É social, político e ético”, apontou Magri.
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