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    Copa do Mundo: TV aberta é recurso para profissionais barrados em campeonato

    A Copa do Mundo FIFA 2026 tem imposto desafios que vão muito além das quatro linhas. Muitos torcedores tiveram vistos negados, principalmente para a entrada nos Estados Unidos. As dificuldades, no entanto, também atingiram profissionais que viajariam para trabalhar no torneio, como integrantes de comissões técnicas, equipes de apoio e jornalistas. 

    A fotógrafa francesa Florence Pernet foi uma das afetadas. Com o credenciamento negado pela FIFA, ela ficou impedida de realizar a cobertura oficial da competição. Em 20 de junho, publicou em suas redes sociais a frase: "Não tenho credenciamento, mas tenho minha TV e minha própria visão".

    Foi a partir da transmissão da TV aberta que Pernet encontrou uma forma de continuar contando histórias. Utilizando imagens exibidas ao vivo, ela produziu fotografias de grandes craques, como Vini Jr., Kylian Mbappé e Cristiano Ronaldo, mostrando que, mesmo distante dos gramados, era possível criar registros originais e sensíveis.

    O episódio também reforça um aspecto muitas vezes pouco percebido: a importância da TV aberta como meio de acesso democrático aos grandes acontecimentos. Ao levar gratuitamente eventos de relevância mundial para milhões de pessoas, a televisão aberta não apenas aproxima o público do esporte, mas também amplia as possibilidades de produção de conteúdo, permitindo que profissionais e espectadores acompanhem e interpretem esses momentos a partir de diferentes perspectivas.

    A iniciativa de Florence viralizou rapidamente. Novas publicações passaram a surgir com as hashtags #NoAccreditation e #NoProblem, e ela recebeu apoio de seguidores e reconhecimento de atletas da Copa. O atacante francês Michael Olise apagou todas as publicações de seu perfil e compartilhou apenas imagens das partidas em uma proposta semelhante à da fotógrafa. Quatro dias depois, o perfil oficial da seleção de Portugal publicou uma série de fotografias de Florence acompanhadas da legenda: "Nem sempre é preciso estar dentro das linhas para ver o belo jogo de uma forma diferente".

    Situação semelhante foi vivida pelo fotógrafo senegalês Sidy Talla. Embora tenha obtido o credenciamento para cobrir a competição, ele teve o visto canadense negado e não conseguiu acompanhar o torneio presencialmente. Inspirado pelo trabalho de Florence, Sidy publicou em suas redes sociais: "Dentro ou fora do campo, minha paixão permanece a mesma. Não importa o palco, sempre terei o mesmo desejo: contar histórias através de imagens".

    As histórias de Florence Pernet e Sidy Talla mostram que a criatividade pode superar barreiras inesperadas. Mais do que isso, evidenciam o papel da TV aberta como uma plataforma de acesso universal à informação, ao entretenimento e aos grandes eventos esportivos, democratizando experiências e permitindo que milhões de pessoas, inclusive profissionais da comunicação, acompanhem, interpretem e contem novas histórias a partir de uma transmissão acessível a todos.

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