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    Diálogos ABERT: A radiodifusão como lastro de confiança na era dos algoritmos

    Assumo a presidência do CONAR num momento em que a publicidade brasileira vive sua transformação mais profunda: inteligência artificial gerando peças em escala, plataformas globais disputando atenção e novos formatos testando os limites entre conteúdo editorial e comercial. 

    Nesse cenário, poderia parecer que a radiodifusão perdeu centralidade. É o contrário. Rádio e televisão cumprem um papel fundamental no país: democratizam o acesso à informação e à cultura, gratuitamente, com presença em mais de 9 em cada 10 lares brasileiros – do grande centro ao interior mais remoto. Nenhuma outra plataforma combina essa capilaridade com curadoria editorial e responsabilidade jurídica clara. A radiodifusão chega onde o algoritmo não chega e é confiável onde a desinformação prospera.

    Há uma relação estrutural que costuma passar despercebida: é a publicidade que financia essa informação livre. Sem receita publicitária saudável, não há jornalismo independente, não há radiodifusão gratuita, não há pluralidade. Defender a credibilidade da propaganda é, portanto, defender a liberdade de informar. Essa é a essência do CONAR há mais de 45 anos: um modelo em que o próprio mercado – anunciantes, agências, veículos e plataformas – se autorregula com rigor e legitimidade, evitando que o Estado precise tutelar a expressão comercial.

    A radiodifusão foi sócia fundadora desse pacto e segue sendo sua parceira mais consistente: quando uma emissora veicula um anúncio, empresta a ele sua credibilidade – e por isso tem interesse genuíno em que as regras funcionem. O desafio agora é levar esse mesmo padrão ético ao ambiente digital, onde nem todas as plataformas aderiram à autorregulamentação.

    Minha visão para o CONAR é de atuação cada vez mais preventiva: usar tecnologia, inclusive IA, para orientar antes que o dano aconteça. Como empresário de comunicação há décadas, fundador da GALERIA, aprendi que confiança é o único ativo que não se compra em mídia – se constrói. A radiodifusão brasileira sabe disso melhor do que ninguém. E é com ela que a autorregulamentação seguirá garantindo que publicidade, informação e cultura caminhem juntas, ao alcance de todos.

     

    Por Eduardo Simon, presidente do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) e fundador da Galeria.ag, maior agência independente de publicidade do país. Liderou a fusão entre a DPZ e a Taterka, tornando-se CEO e sócio da DPZ&T por cinco anos. Formado em Propaganda e Marketing e pós-graduado em Administração de Empresas, Simon é umas das maiores lideranças da publicidade brasileira. Em 2022, integrou a lista Game Changers, do Meio & Mensagem e, em 2023, passou a figurar na lista da Bloomberg das 500 pessoas mais influentes da América Latina. Foi cinco vezes indicado como profissional do ano pelo prêmio Caboré. É também vice-presidente da ABAP.

     

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