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    Diálogos ABERT: Conectividade: a base para avançarmos para um Brasil digital

    A conectividade deixou de ser apenas um serviço de infraestrutura para se tornar um dos principais pilares do desenvolvimento econômico e social. Em um mundo impulsionado por inteligência artificial, computação em nuvem, internet das coisas e digitalização de serviços, países competitivos são aqueles capazes de oferecer redes robustas, resilientes e acessíveis à população e às empresas. Nesse cenário, o Brasil tem avançado de forma significativa. 

    O brasileiro tem acesso a uma experiência de conectividade que poucos países do mundo oferecem. Dados da Consumer Pulse apontam que o brasileiro passa nove horas diárias online e já ocupamos o terceiro lugar global em adoção de inteligência artificial generativa, aponta a OpenAI. Os números avançam por outras áreas: 78% das compras feitas pelos brasileiros são realizadas pelo telefone celular e dados da Serasa Experian e Saúde Digital Brasil revelaram que o país realiza 3 milhões de teleconsultas por ano. A ampla conectividade no país permitiu, por exemplo, avanços importantes também no setor de radiodifusão, com a implantação da TV 3.0.

    No campo, a conectividade viabiliza a agricultura de precisão e o monitoramento em tempo real. Na indústria, o 5G permite automação, ganho de produtividade e redução de custos. Não estamos falando de um setor de apoio, mas do alicerce que sustenta a digitalização do Brasil.

    Com menos de quatro anos de operação, mais de 1.500 municípios já contam com cobertura 5G. Nessas cidades vivem 70% da população brasileira. O avanço demonstra não apenas a capacidade de investimento das operadoras, mas também a relevância estratégica da conectividade para o futuro do país.

    Nos últimos anos, as empresas de telecomunicações investiram bilhões de reais na expansão da infraestrutura digital, ampliando redes móveis, fibra óptica e sistemas de transmissão de dados. Hoje, quase 100% dos municípios brasileiros contam com backhaul de fibra, permitindo o crescimento da banda larga fixa e a expansão de novos serviços digitais. Mais do que conectar pessoas, essa infraestrutura sustenta setores inteiros da economia.

    Que o Brasil é um país conectado, temos certeza. Agora, precisamos ir além e dar um salto para o Brasil digital. Para isso, precisamos ultrapassar alguns desafios na busca por um ambiente regulatório equilibrado, racionalidade tributária, segurança jurídica e políticas públicas coordenadas. Questões como compartilhamento de postes, proteção das redes, simplificação do licenciamento de infraestrutura e uso eficiente dos fundos setoriais serão decisivas para acelerar a inclusão digital nos próximos anos.

    Digitalizar o Brasil não significa apenas ampliar o acesso à internet. Significa criar oportunidades, aumentar a produtividade, estimular inovação, reduzir desigualdades e fortalecer a competitividade nacional. O futuro será cada vez mais conectado. E o Brasil tem a oportunidade de transformar sua infraestrutura digital em uma poderosa ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

     

    Por Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis Brasil Digital e da Confederação Nacional de Tecnologia de Informação e Comunicação. É doutor em economia, pelo Instituto de Economia Industrial da UFRJ e foi diretor de Infraestrutura e Governo do BNDES. Foi também secretário de Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento, de 2016 a 2018, e anteriormente chefe da Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento e secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

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