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    Rádio precisa ressignificar sua imagem para acompanhar sua própria evolução

    O mundo está em rápida transformação, e isso ocorre em praticamente todos os hábitos de consumo, impactando as mais diversas atividades econômicas. Trata-se de algo inegável e que dificilmente irá mudar. Porém, também observamos a resiliência do rádio, com uma série de pesquisas e levantamentos apontando que o consumo do meio segue em níveis elevados, considerando os principais mercados do planeta. Isso acontece porque o rádio tem se adaptado naturalmente às mais diversas formas de entregar conteúdo ao público, seja via áudio ou por meio de outras plataformas que complementam a nossa atividade principal. No entanto, essa capacidade de adaptação precisa ser percebida pela sociedade de uma maneira menos orgânica e mais objetiva. Precisamos, urgentemente, ressignificar o que é o rádio.

    Primeiro, cabe aqui uma observação: existe um debate sobre o não uso da palavra rádio, já que a entrega de conteúdo evoluiu para diferentes plataformas. Isso é um fato, mas abandonar a palavra é entregá-la de bandeja para quem deseja se apropriar dos pontos positivos e fortes que ela possui. O rádio hoje pode ser uma playlist com curadoria em serviços de streaming musical, canais digitais de áudio ao vivo, programação de áudio veiculada dentro de lojas e marcas, entre outras situações. Abrir mão da palavra “rádio” porque ela aparentemente não reflete o quanto o meio evoluiu pode ser um erro que cobrará caro no futuro.

    Então, o que fazer? Manter a posse da palavra e ressignificá-la. O rádio não pode mais ser indicado unicamente como um dispositivo, geralmente associado aos aparelhos antigos e a pilha que, apesar de possuírem sua importância em nossa sociedade, explicam apenas uma parte do que é esse setor hoje. O próprio receptor está evoluindo de maneira rápida e com caminhos muito distintos: são multimídias modernas nos automóveis, FMs embarcados em objetos diversos, como brinquedos infantis e até penteadeiras de produtos de beleza em farmácias, quase com uma presença onipresente.

    O rádio também é aplicativo, seja ele com capacidade de receber sinal de FM ou via streaming. Para o ouvinte, que busca o conteúdo de sua emissora (e marca) favorita, esse hábito “híbrido” é natural. E para o mercado? E para as empresas que medem a audiência e a eficiência publicitária do setor? Isso está claro? É possível mapear? O quanto o setor precisa unificar o discurso para que isso seja compreendido por todos? De que o rádio é moderno e está em todos os lugares, conectados ou não?

    Como destaquei recentemente em outro artigo sobre esse tema, imagem é tudo. É a forma como você se apresenta. Você pode se posicionar como algo moderno, com credibilidade no que tem a oferecer, ou optar deliberadamente por uma imagem “vintage”, remetendo à história. No caso do rádio, essa segunda opção é válida quando falamos de sua longa trajetória, de um veículo centenário e respeitado. Mas isso é apenas parte do que somos: hoje, trata-se de um meio multiplataforma, com receptores cada vez mais modernos e um uso crescente em qualquer dispositivo conectado que emita som. Somos smartphones e seus aplicativos, caixas de som inteligentes, monitores e TVs conectadas, redes sociais, entre outros.

    Vale lembrar que, no dia a dia, fazemos o mais difícil: nos adaptar aos ouvintes, entregando conteúdo da melhor forma possível. Prova disso são os números em patamar elevado e a resiliência do meio, mesmo diante de desafios cada vez mais complexos. Estamos presentes em todos os lugares possíveis, seja via ondas no dial, em plataformas conectadas ou em ações presenciais próximas aos nossos públicos e parceiros. Algumas emissoras precisam adotar melhores práticas, como tenho insistido em meus artigos? Claro, mas isso ocorre em todos os segmentos econômicos. Ou seja, a base – a entrega de conteúdo – nós fazemos bem, porque isso é algo natural do rádio: estar onde as pessoas estão.

    Mas insisto: precisamos mudar nossa “propaganda” perante a sociedade, ressignificando a poderosa palavra rádio, para que ela não fique presa no tempo, associada apenas a um aparelho antigo, que é parte importante de nossa história, mas apenas uma parte do que somos, já que o meio é muito maior.

    Por Daniel Starck, jornalista e proprietário do tudoradio.com, atua como consultor e palestrante nas áreas artística e digital do rádio. Também possui conhecimento na área de tecnologia, com foco em aplicativos, mídia programática, novos devices, inteligência artificial, sites e streaming.

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