A nova geração de televisão aberta, a TV 3.0, poderá desempenhar um papel estratégico na promoção da inclusão digital no Brasil. Essa é uma das propostas apresentadas no relatório do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) responsável pela elaboração do Plano Nacional de Inclusão Digital (PNID), entregue ao Ministério das Comunicações e que servirá de base para a implementação da política pública nacional de conectividade e cidadania digital.
A elaboração do PNID contou com a participação de representantes do governo federal, sociedade civil, setor produtivo e da academia. A ABERT integrou a Câmara Setorial de Demanda do Grupo de Trabalho Interministerial, representada pelo presidente-executivo, Cristiano Lobato Flôres, e pelo diretor de Assuntos Legais e Regulatórios, Rodolfo Salema.
Entre as ações previstas, o relatório propõe o desenvolvimento de aplicativos interativos para a TV 3.0 voltados ao letramento digital da população. A iniciativa integra o eixo de Competências Digitais do PNID e prevê o uso da interatividade da nova geração da televisão aberta para oferecer conteúdos educativos diretamente no ambiente domiciliar, ampliando o acesso à informação e ao desenvolvimento de habilidades digitais básicas.
O documento destaca que, em uma etapa futura da política, a TV 3.0 poderá servir como plataforma para integrar ações de educação digital e facilitar o acesso da população a serviços públicos. A proposta considera a possibilidade de configurar os dispositivos para que os serviços governamentais estejam disponíveis já na interface inicial da televisão, permitindo que cidadãos tenham acesso facilitado aos conteúdos produzidos no âmbito do PNID.
A iniciativa consta da Ação C11, que estabelece como meta o desenvolvimento de aplicativos interativos voltados ao letramento digital. O plano prevê como indicadores o número de aplicações desenvolvidas e integradas ao sistema da TV 3.0, além do volume de acessos e interações registrados. A execução ficará sob responsabilidade do Ministério das Comunicações (MCom) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A implementação do PNID deverá demandar investimentos da ordem de R$ 35 bilhões ao longo dos próximos cinco anos, contemplando ações voltadas à expansão da infraestrutura, democratização do acesso à conectividade e desenvolvimento de competências digitais.

